Ganhar a Premier League já é difícil o suficiente. Ganhar com mais de 90 pontos? Isso geralmente é sinal de um time que passou nove meses fazendo com que todos os outros parecessem claramente medíocres.
Apenas um time já alcançou a marca mágica de 100 pontos na primeira divisão da Inglaterra, enquanto vários outros chegaram agonizantemente perto disso.
Alguns conquistaram o título com facilidade já na primavera, outros, de alguma forma, acumularam números absurdos e, mesmo assim, terminaram em segundo lugar. O futebol americano pode ser um esporte cruel.
Já analisamos os menores pontuações já registradas na Premier League, mas aqui vamos dar uma olhada nas maiores pontuações da história da Premier League.
Manchester City (2017-18) – 100 pontos
Manchester City não se limitou a conquistar a Premier League na temporada 2017-18 – o time tratou o restante da divisão como se fossem cones de treino.
A equipe de Pep Guardiola se tornou a primeira — e até hoje a única — na história da primeira divisão inglesa a atingir 100 pontos, embora tenha deixado isso para a última jogada da temporada.
Gabriel Jesus marcou o gol da vitória nos acréscimos contra o Southampton na última rodada, levando o City a ultrapassar a marca das três dígitos. Dramático? Sim. Necessário? Com certeza.
Os recordes se acumularam quase tão rapidamente quanto os gols. O City venceu 32 das 38 partidas do campeonato, marcou a impressionante marca de 106 gols e terminou com um saldo de gols de +79.
Eles também venceram 18 partidas consecutivas do campeonato, um recorde na época, provando que perder simplesmente não estava nos planos.
Fora de casa, eles foram igualmente implacáveis. As dezesseis vitórias fora de casa igualaram o recorde histórico da primeira divisão inglesa, enquanto os 50 pontos conquistados fora de casa continuam sendo uma das melhores campanhas fora de casa que a Premier League já viu.
Dá para dizer com segurança que eles não se incomodavam exatamente com ambientes hostis.
Como se isso não bastasse, o City terminou com uma vantagem impressionante de 19 pontos sobre o rival Manchester United. Isso não foi tanto uma disputa pelo título, mas sim uma demonstração de força.
Para Guardiola, foi mais uma obra-prima. Depois de já ter conquistado títulos do campeonato na Espanha e na Alemanha, ele finalmente conquistou a Inglaterra de forma espetacular.
O restante da Premier League passou a temporada se perguntando como, diabos, seria possível detê-los.
Liverpool (2019-20) – 99 pontos
O Liverpool esperou 30 anos para se sagrar campeão da Inglaterra novamente; portanto, dá para dizer que o clube compensou o tempo perdido.
A equipe de Jürgen Klopp foi implacável durante toda a temporada 2019-20, conquistando 99 pontos, apesar de ter sido uma das temporadas mais bizarras que o futebol já viu.
A pandemia da COVID-19 paralisou tudo em março, mas nem mesmo uma pausa de três meses conseguiu impedir o Liverpool de seguir em direção ao título.
Quando o campeonato de futebol foi suspenso, os Reds já estavam na liderança com 25 pontos de vantagem. Eles pareciam capazes de entrar para o clube dos 100 pontos, mas, após o reinício, sua intensidade diminuiu, o que era de se esperar.
Mesmo assim, eles ainda terminaram com o segundo maior total de pontos da história da Premier League.
O Liverpool também igualou o recorde do Manchester City de 18 vitórias consecutivas no campeonato e garantiu o título com sete rodadas de antecedência, depois que o Chelsea venceu o City em Stamford Bridge. Nenhum campeão da Premier League jamais havia sido coroado tão cedo.
Foi o momento culminante do projeto de reconstrução de Klopp. Após anos de oportunidades perdidas por pouco e de decepções, o Liverpool finalmente estava de volta ao topo.
Mesmo que não houvesse um Anfield lotado para assistir ao jogo ao vivo.
Manchester City (2018-19) – 98 pontos
Prometo que esta não é apenas uma lista dos melhores totais de pontos do Manchester City e do Liverpool.
Imagine somar 98 pontos e ainda precisar vencer na última rodada. Bem-vindo à temporada 2018-19 da Premier League.
O Manchester City e o Liverpool protagonizaram o que pode ser considerada a maior disputa pelo título que o futebol inglês já viu, com a equipe de Guardiola acabando por levá-la por apenas um ponto.
Um único deslize teria sido suficiente para entregar o troféu ao Liverpool, mas o City simplesmente se recusou a vacilar.
Após uma derrota inesperada em Newcastle, em janeiro, o City reagiu da única maneira que sabe: vencendo suas últimas 14 partidas do campeonato.
Isso é o equivalente, no futebol, a ouvir que você está ficando para trás em uma prova e, de alguma forma, conseguir tirar 100% mesmo assim.
O último obstáculo foi superado fora de casa, em Brighton. Glenn Murray deu uma breve esperança aos torcedores do Liverpool ao colocar os Seagulls na frente com um gol de cabeça, mas o City reagiu quase imediatamente com um gol de Sergio Agüero, antes que Aymeric Laporte, Riyad Mahrez e İlkay Gündoğan selassem uma confortável vitória por 4 a 1.
O City encerrou a temporada com mais 32 vitórias no campeonato, conquistou o título da Premier League pela primeira vez sob o comando de Guardiola e completou o triplo nacional ao adicionar a FA Cup e a Copa da Liga ao seu palmarés.
Desta vez não foram exatamente 100 pontos, mas quando se está vencendo praticamente tudo o mais, é difícil reclamar.
Liverpool (2018-19) – 97 pontos
A temporada 2018-19 do Liverpool é uma das campanhas mais estranhas e brilhantes da história da Premier League.
Normalmente, quando um time chega a 97 pontos, já se planeja o desfile com o troféu, o champanhe está na geladeira e os torcedores já estão discutindo onde a estátua deve ficar.
Em vez disso, o Liverpool teve que assistir à comemoração do Manchester City, que havia alcançado a segunda maior pontuação já registrada até então.
Isso diz tudo sobre o quão ridícula foi essa disputa pelo título.
A equipe de Jürgen Klopp pressionou o City até o fim, perdendo apenas uma partida do campeonato em toda a temporada e terminando com 97 pontos. O problema? Essa única derrota aconteceu na hora errada, e o City foi simplesmente impecável quando mais importava.
A pontuação total do Liverpool continua sendo a maior já alcançada por um time que não conquistou o título da primeira divisão inglesa. O time se tornou o primeiro e único a somar mais de 90 pontos, vencer 30 partidas e, mesmo assim, terminar em segundo lugar.
Em uma temporada normal, o Liverpool teria levantado o troféu. Infelizmente para eles, acabaram enfrentando um dos maiores times da Premier League já montados.
Na defesa, era quase impossível superar a equipe. Os Reds mantiveram a baliza invicta em 21 partidas e sofreram apenas 22 gols ao longo da temporada; apenas a famosa defesa do Arsenal da temporada 1998-99 sofreu menos gols em uma temporada da Premier League sem conquistar o título.
No outro lado do campo, eles também não estavam exatamente com dificuldades. O Liverpool marcou 89 gols, enquanto Mohamed Salah e Sadio Mané terminaram com 22 gols cada um no campeonato, dividindo a Chuteira de Ouro com Pierre-Emerick Aubameyang, do Arsenal.
O que é frustrante para os torcedores do Liverpool? Em praticamente qualquer outro ano, esta teria sido uma temporada de conquista do título.
Em vez disso, tornou-se o exemplo definitivo do timing cruel do futebol. Às vezes, ser brilhante simplesmente não é o suficiente.
Chelsea (2004-05) – 95 pontos
Antes de o Manchester City e o Liverpool transformarem a disputa pelo título da Premier League em uma corrida de 90 pontos, o Chelsea de José Mourinho mostrou a todos o que era domínio.
“O Especial” chegou a Stamford Bridge em 2004 cheio de confiança, após ter conquistado dois títulos consecutivos do campeonato em Portugal e uma Liga dos Campeões com o Porto. Ele rapidamente deixou claro que não estava vindo para a Inglaterra apenas para competir.
Ele estava vindo para assumir o comando.
A primeira temporada sob o comando de Mourinho foi construída com base em uma defesa praticamente imbatível. A equipe sofreu apenas 15 gols em toda a temporada, manteve o gol invicto em 25 partidas e transformou o Stamford Bridge em uma verdadeira fortaleza do futebol.
A título de comparação, algumas equipes levam 15 gols em um período razoável de dois meses. O Chelsea conseguiu isso ao longo de uma temporada inteira da Premier League.
O desempenho defensivo deles foi tão impressionante que o único outro time da primeira divisão inglesa a sofrer tão poucos gols em uma temporada foi o Preston North End, lá na temporada de 1888-89. O pequeno porém? O Preston disputou apenas 22 partidas naquela temporada.
Os 95 pontos do Chelsea constituíram um recorde da Premier League na época e permaneceram como a maior pontuação da história da primeira divisão inglesa até a campanha monstruosa do Manchester City, com 100 pontos, na temporada 2017-18.
Foi também o primeiro título do campeonato do clube em 50 anos, encerrando meio século de espera e dando início a uma das épocas de maior sucesso de sua história.
O elenco de Mourinho estava repleto de jogadores que se tornariam lendas de Stamford Bridge. Didier Drogba, Petr Čech, Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira e Arjen Robben chegaram como parte de um Chelsea renovado, montado para dominar.
E foi exatamente isso que eles fizeram: dominaram.
A média de idade do time titular do Chelsea era de apenas 25 anos e 250 dias, o que fazia dele o time mais jovem a conquistar o título da Premier League até então. Apesar da juventude, eles jogaram com a confiança de um time que já atuava junto há anos.
O goleiro Petr Čech foi fundamental para esse sucesso, sofrendo apenas 13 gols em suas 35 partidas no campeonato e mantendo a baliza invicta em 24 ocasiões — um recorde da Premier League que permanece até hoje.